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11 de nov. de 2012

Tão não eu ...

"And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking".

Começo escrevendo sem saber o que escrever.
Só sinto. E não consigo parar de sentir.
Sentir que tá ficando longe,
- Pra trás.

Queria conseguir escrever de forma linear,
Mas não passou de forma linear.

A questão é que mais um aniversário aconteceu.
Mais um desespero bateu..
"você é jovem e a vida é longa"
Mas e quando sentir que a vida tá ficando pra trás?

Claro que vem o medo.
Medo daquele sorriso(ou sorrisos?) desaparecer da sua memória,
E tudo virar só reconstruções, flashes
- Imaginação que se dissolve ao abrir os olhos.

É olhar pra linha do tempo
e ver tudo ficando distante.
Aquela vida, aquele eu,
lá atrás.

Comecei sem saber o que escrever
E termino sem saber o que escrevi.
Só Sinto.

Dez e nove. Tão não eu.

30 de mai. de 2012

Já vi o sol nascer...


... e também ele se pôr. Já vi meu irmão formar e meu pai chorar. Já vi Harry Potter acabar.
Já nasci depois de artistas preferidos terem morrido. Já não dancei na discoteca.
Já não fui num show dos Beatles.
Já terminei o colegial, já fui assaltada, já não usei saia rodada.
Já corri atrás de borboleta, já acabei com uma caneta, já amei mais do que imaginei amar.
Já fui inspiração, grande paixão e ombro amigo.
Já vi minha mãe morrer e o rostinho mais lindo desse mundo nascer.
Agora me pego pensando, mesmo não querendo, achando que é só sentar e esperar o fim do mundo.

2 de mar. de 2012

E igual quando era pequena...



... olhei pela janela e vi que a lua nos seguia. Lembre de minha mãe dizendo: “- Estamos apostando uma corrida com a lua.” Aquilo era divertido.
Diferente da minha infância, dessa vez eu estava numa van, voltando para casa, não era meu pai ao volante e minha mãe já não estava mais ao meu lado...
Mas a lua estava maravilhosamente linda, e isso de certa forma me confortava. 
E como sempre, nós ganhamos da lua.

7 de jun. de 2011

... E ainda tenho.

Eu tinha medo da lua,
tinha medo do balanço da cortina.
Eu tinha medo dos feixes de luz gerados pelos holofotes, cortando a noite escura,
tinha medo quando a luz acabava.
Eu tinha medo do barulho alto das motos que passavam debaixo da janela do meu quarto,
tinha medo das abelhas.
Eu tinha medo de fantasmas,
e tinha medo de perdê-la.


17 de mai. de 2011

Esquecer pra deixar de doer. Grande bobagem!


É normal ouvir alguém mencionar o nome da minha mãe e depois me pedir desculpas. Não foram poucas as vezes em que alguém sentiu-se culpado ao falar algo relacionado à ela.
As pessoas acham que eu me sinto triste relembrando os fatos do passado e que isso vai me fazer mal. Bobagem! Pelo contrário, eu gosto bastante quando lembram dela. Quando me contam histórias, fatos, ou qualquer outra coisa que ela está metida no meio.
Tem muita gente que tem essa mania de achar que esquecer é uma forma de amenizar a dor. Mentira. Quando se deixa de aceitar uma dor, mantendo-a guardada, ela dói muito mais. Agora quando a gente aceita e convive com essa lembrança no nosso dia-a-dia, compartilhando-a com os demais, é que essa dor é amenizada.
É tão bom poder perceber que você não é o único que sente falta de uma certa pessoa. É bom poder compartilhar com o próximo os momentos bons em que ela esteve ao seu lado.
Afinal essa saudade vai estar pra sempre viva dentro da gente, então por que não compartilhar este sentimento? Já que a dor é inevitável mesmo.

15 de abr. de 2011

Blusa vermelha


O sofrimento é como uma blusa vermelha. Se deixarmos esta blusa dentro do guarda roupa, ela vai ser sempre uma blusa de um vermelho intenso, vivo. Ao contrário, quanto mais essa blusa for usada e lavada, o vermelho vai desbotando, e uma hora ele vai estar bem fraco. Não deixou de ser vermelho, só perdeu a intensidade.
É assim com nosso sofrimento. Se guardarmos ele dentro de nós, nunca tocá-lo ele vai doer cada vez mais. Mas se dermos a oportunidade de sofrer, de compartilhar a dor, de "lavar" esse sofrimento, um dia também vai desbotar. Não vai deixar de ser sofrimento, não vai deixar de ser vermelho, mas será um vermelho apagado.
Aprendi isso com uma pessoa especial,
que tem me falado coisas especiais nesses últimos tempos.


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31 de mar. de 2011

Tão injusto existir despedidas.

Me falaram que eu simplesmente não consegui dizer adeus. Falaram que é preciso se libertar de tal episódio. Disseram que é preciso se despedir como deve ser feito. Mas como se despedir de quem você mais ama? Como dizer adeus pra quem sempre esteve do teu lado, te ensinou teus primeiros passos e contribuiu pra você ser quem você é. Me conte, por favor, meu caro destino, meu caro sofrimento, como dizer adeus para a mais importante mulher da sua existência, para a rainha da ternura, da tua ternura?
Como se despedir de quem cuidou de ti até a morte, para quem mais desejou tua felicidade! Me diz, como fazer para se conformar que agora são só sonhos, que esse vazio dentro de ti não vai ser preenchido. Como faz para se conformar que ela não vai estar presente nos seus futuros planos, sendo que você estava nos dela.
É tão incompreensível.
E eu sei, mãe, que podem se passar o tempo que for, eu vou lembrar da tua força e do teu sorriso como se você ainda estivesse diante de mim.

Você leu?
Sim, eu li.